24 julho 2009

A geografia no Brasil nos últimos anos do Império

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Geography at the empire´s last years

CRISTINA PESSANHA MARY

 

Departamento de Geografia – UFF

 

RESUMO: Com o presente artigo busca-se compreender o significado da geografia nos últimos anos do Império. Para tal,

concentramos nossa atenção no funcionamento da Seção da Sociedade de Geografia de Lisboa no Brasil, na sua composição

social e, sobretudo, na análise do periódico editado por essa filial. Durante os anos em que circulou, entre 1881 e 1886, e

acompanhando as sucessivas diretorias da Seção, a linha editorial da Revista da Sociedade de Geografia de Lisboa no

Brasil alterou-se ao sabor de perspectivas diferenciadas para a geografia, dentre elas, a aspiração portuguesa de engajar o

Brasil nas disputas pelo continente africano. Todavia, a nova conjuntura política republicana terminou por inviabilizar o

projeto luso de um Brasil como continuidade ibérica, esvaziando de sentido a própria Seção.

Palavras-chaves: geografia; revista de geografia; significado da geografia.

ABSTRACT: This paper is pursuing the meaning of geography throughout the empire’s last years. To achieve that we

focused both on the performance of the Seção da Sociedade de Geografia de Lisboa no Brasil concerning its social structure,

and, particularly on the analysis of the periodicals published by this branch. From 1881 to 1886, the span of its distribution

and, along with the successives Section’s board of directors, one can notice that the editorial profile of the Revista da Seção

da Sociedade de Geografia de Lisboa no Brasil, has experienced a change, led by differents perspectives for geography,

among them, the Portuguese aspiration to involved Brazil into the quarrels for Africa. The new republican political

circumstances, however, ended up by thwarting the Portuguese project where Brazil would be seen as an Iberian extension,

voiding therefore the very role of the Section.

Key words: geography society; geography magazine; meaning of geography.

 

Introdução

 

Este artigo se constitui em contribuição ao estudo da geografia no Brasil de fins do Império. Concentramos

nossa atenção na Seção da Sociedade de Geografia de Lisboa no Brasil, procurando avaliar

seu significado, desde sua criação, em 1878, até 1888, quando se obteve notícia de sua última diretoria.

Tal proposta, aparentemente simples, ganhou ares de intrincada trama, quando focalizamos o Rio

de Janeiro na década de 1880. Naquele momento, a cidade parecia respirar geografia, abrigando, além

da Seção, mais dois institutos similares, ambos carregando em seus nomes a denominação “geografia”,

a saber, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), criado em 1838, e a Sociedade de Geografia

do Rio de Janeiro1 (SGRJ), de 1883.

Movimentando esse quadro, a profunda cisão no interior da própria Seção da Sociedade de Geografia

de Lisboa no Brasil, em 1881, quando um grupo abandonou a associação, inconformado com o

veto de Lisboa à tentativa de transformação da própria Seção em outro grêmio, de cunho nacional.

O interesse pela geografia naquele período não era incomum. Nesse último quartel do século

XIX, inúmeras sociedades geográficas, como os institutos da Corte, animavam as capitais européias,

ganhando força também na América Latina. Desde a década de 1960, estudos realizados sobre institutos

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como os de Paris, Londres, Espanha, na sua maioria, apontaram a sua funcionalidade no quadro das

ambições expansionistas dos Estados nacionais europeus2.

Esse foi o caso da própria matriz da Seção, a Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL)3. Tal organização,

criada em 1875, por um grupo de intelectuais, esteve à testa do movimento colonialista

português, quando não se mediram esforços em prol da manutenção dos territórios africanos, percebidos

como garantia para um futuro de grandeza para a nação portuguesa4.

A política colonial, entretanto, não explica a existência desses estabelecimentos em áreas como a

América Latina. Tomá-los apenas como agentes do imperialismo seria desconhecer o seu papel na

formação de identidades nacionais das ex-colônias.

Pesquisas voltadas para os institutos de geografia da América Latina salientaram o seu peso nas

políticas de cunho nacional. Assim, Leôncio Lópes-Ocón5, ao comparar os institutos do gênero no

Peru, Bolívia, México, Costa Rica e Argentina, mostrou sua importância como instrumentos de organização

desses espaços nacionais.

No Brasil, é voz corrente nas ciências sociais o papel da história e da antropologia na composição

de um rosto para a nação. Nos limites da realidade brasileira, a ligação entre a história e a construção

da nacionalidade não escapou aos que se debruçaram sobre o IHGB6.

Entretanto, acreditamos que a geografia não fez por menos. Pesquisas mais recentes sobre a SGRJ7

também apontam para a vinculação da geografia com o projeto nacional. Neste estudo, comungando

com tal hipótese, esperamos compreender melhor a articulação entre o significado da geografia no

Brasil em fins do Império e a política nacional.

O estudo da geografia na cidade do Rio de Janeiro, em fins do século XIX, tinha um gosto diferente,

apimentado tanto pela questão da inusitada proliferação de grêmios em uma mesma cidade, quanto

pela cisão no interior da Seção. Afinal, se a geografia esteve atrelada a um projeto para a nação, como

pensa a historiografia, cabe responder o que então separava os institutos e qual a razão da divisão no

interior da Seção.

Acredita-se que a origem dessa multiplicação de grêmios esteja calcada nas divergências quanto

à concepção de geografia nacional, mais precisamente quanto à idéia de nação. Não se descurou, no

entanto, de outras possibilidades, relativas às questões que sacudiram o Império nos seus momentos

finais, como o abolicionismo e o movimento republicano.

Sendo assim, na busca de um enredo coerente para essa história e levando-se em conta que a

filial da Sociedade de Geografia de Lisboa constituiu-se como ponto de interseção de várias tradições

de geografia, procedemos ao exame do periódico publicado por essa associação. Nesse processo de

interpretação, no entanto, foi necessário ultrapassar o texto da Revista, pois, em muitos casos, o nexo

das geografias só se fez nos fios da memória e das biografias daqueles que nela escreviam, agentes da

política em primeira instância.

A Seção da Sociedade de Geografia de Lisboa no Brasil

Reunidos na legação de Portugal no Rio, então residência do visconde de São Januário, vindo ao Brasil com

as instruções e credenciais necessárias fornecidas pela Sociedade de Geografia de Lisboa, 14 sócios correspondentes

dessa Sociedade, dentre barões, viscondes, generais e doutores, constituíram a Seção na cidade do Rio de Janeiro8.

No discurso proferido durante a reunião de criação da Seção da Sociedade de Geografia de Lisboa

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no Brasil, o visconde de São Januário9, em clara alusão às aflições acerca das disputas colonialistas no

continente africano, afirmou o desejo de Portugal de não ficar atrás no “certame em que se empenhava

o mundo civilizado” [...] “o grande movimento europeu para as grandes descobertas em África onde os

problemas sociais e científicos poderiam encontrar sua verdadeira solução”10.

Suas palavras revelaram os objetivos da matriz em Portugal, preconizando “a exploração portuguesa

em África”, missão em andamento tendo em vista o fato de que alguns associados já estavam “percorrendo

esse vasto continente, empreendendo importantes trabalhos de descobertas e reconhecimentos,

estudando principalmente as relações dos vastos sistemas hidrográficos ocidentais e

orientais da África equatorial e austral”.

Abordando a iniciativa do rei Leopoldo II11, da Bélgica, na tarefa de “abrir o continente africano à

civilização européia e de extinguir o tráfico da escravatura”, o cônsul reconheceu ser essa uma tarefa

gloriosa e concluiu ser indispensável para Portugal aumentar o número de expedições, tendo em vista

os fins enumerados.

Escorado em argumentos acerca do universalismo da ciência na batalha do progresso, capaz de

irmanar sócios de nacionalidades diferentes, verdadeira preleção acerca dos benefícios advindos da

participação da Sociedade de Geografia de Lisboa na política colonial portuguesa de manutenção dos

territórios africanos foi destilada.

O visconde anunciou ainda a criação, por Portugal, de um fundo africano destinado a promover

explorações naquele continente. Para fomentar tais iniciativas, prosseguiu, a Sociedade de Geografia

de Lisboa “resolveu organizar seções nas localidades onde houvesse mais de vinte sócios”. De forma

vaga, concluiu que as seções deveriam executar “todos os trabalhos relativos ao fim que se tem em

vista, a sua publicação para utilidade pública e a coadjuvação recíproca”12.

A cooperação13 proposta por Januário foi de imediato aceita entre os presentes, elegendo-se logo

a seguir, por aclamação, o primeiro presidente da instituição recém-criada, o senador Cândido Mendes

de Almeida14. Os demais membros da diretoria foram eleitos: Henrique Pedro Carlos de Beaurepaire

Rohan15 e o visconde de Borges Castro no cargo da vice-presidência, enquanto Francisco Maria

Cordeiro16 e o barão de Teffé17 figuraram como primeiros secretários.

Durante os seus três primeiros anos de vida, a Seção esteve em função da sua própria organização

administrativa, envolvida com a redação e aprovação dos estatutos, regimento interno, firmando a sua

estabilidade. No mais das vezes, os trabalhos da Seção se limitaram às comunicações do senador Cândido

Mendes de Almeida sobre as novidades geográficas e o movimento civilizador das expedições

geográficas; nesse tempo, houve apenas uma conferência do barão de Teffé e uma leitura do tenente

J. M. Albuquerque Bloem18.

O quarto ano (1881) foi, todavia, marcante: se, por um lado, realizou-se a visita do festejado

explorador português Alexandre de Serpa Pinto19 e o lançamento da Revista da Seção, por outro houve

o cisma entre os grupos que sonharam com um grêmio nacional e aqueles que permaneceram fiéis à

proposta inicial, mantendo a Seção apenas como filial de Lisboa. O episódio em tela culminou com o

fracasso da iniciativa e um saldo de divisões entre aqueles que recuaram de seus intentos, após a

reação negativa de Lisboa diante do projeto, e os associados que a deixaram para, dois anos mais tarde,

finalmente, tornar efetiva a criação da SGRJ20. No entanto, em 1883, a Seção retomou seu curso –

sessões de honra voltaram a ser organizadas.

Os signatários da ata de criação da filial compunham um grupo bastante uniforme quanto à

posição social: quase todos pertenciam à elite fluminense21, variando quanto ao título nobiliárquico,

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patente ou armas; constando dentre eles, a exemplo do visconde de Mattosinhos22, Emílio Zaluar23 e

Boaventura Gonçalves Roque24, personalidades da colônia portuguesa radicada no Rio.

A formação profissional de grande parte do grupo fundador também não se distanciava daquelas

predominantes entre membros da elite do Império. Assim, a medicina se fez representar pelo barão de

Ramiz25; a engenharia, por militares como o visconde de Beaurepaire Rohan, e, por fim, as “gentes do

direito”, como a destacada figura do senador Cândido Mendes, bacharel em ciências jurídicas e sociais.

No âmbito dos demais associados, encontra-se um espectro largo de opções ideológicas, como o

abolicionismo de Ângelo Agostini26; o pensamento de Ramalho Ortigão, manifestamente favorável à

continuidade da escravidão27; as tendências liberais de André Rebouças28; o catolicismo dedicado de

Cândido Mendes de Almeida, filiado ao partido conservador; o monarquismo convicto de Carlos

Maximiano Pimenta de Laet29 e o pragmatismo do barão de Teffé, prestando serviços tanto ao Império

quanto à República.

Em 1881, a Seção tinha ampliado seus quadros, chegando a contar com cerca de 179 sócios. Mais

de um terço de seus membros transitou também no IHGB e na SGRJ.

O sucesso da Seção parecia repetir o de outras instituições. A grande adesão a estabelecimentos

do gênero muitas vezes revelava o anseio por trocas de experiências e negócios30, não se podendo

ignorar a utilidade desses grêmios no âmbito das relações clientelísticas, tão presentes na Corte imperial.

Como as suas congêneres, a Seção era um instituto fortemente atrelado a D. Pedro II, não por acaso seu

protetor e sócio honorário. De “Sua Majestade” dependiam nomeações, títulos de nobreza etc.

A listagem dos filiados da Seção em 1885 incluiu nomes como Machado de Assis e Benjamin

Constant, o que só fez confirmar o prestígio e o perfil eclético da Seção e, possivelmente, de sua geografia.

A elite fluminense – grupo diversificado, se pensarmos nas suas atividades, interesses científicos e

perfil político – aninhava-se em organizações como a Seção, para além de suas ambições pessoais,

pois tinham planos para o país.

Para entender o significado da geografia e seu sentido frente à política de fins do Império, será

preciso analisar a Revista publicada pela Seção.

A Revista da Seção da Sociedade de Geografia de Lisboa no Brasil

Ao longo do período em que circulou, a estrutura da Revista pouco mudou, ainda que as diretorias31

variassem. A coleção de periódicos intitulada Revista Mensal da Seção da Sociedade de Geografia de

Lisboa no Brasil (RSSGL), lançada pela Seção em abril de 1881, teve sua edição interrompida durante

todo o ano seguinte, para ser retomada em 1883, mantendo-se com certa regularidade até o início de

1886, ano da última publicação de que se tem notícia.

Atingindo em média dois números anuais, não fez jus à denominação ‘mensal’. Assim, em setembro

de 1885, quando se inicia a segunda série, essa palavra foi suprimida de seu título. Freqüentemente,

palestras e artigos eram publicados em partes, de modo a render vários números, distribuídos por

diferentes fascículos. Ao final de um período – delimitado provavelmente em função de decisões

acertadas no âmbito da redação com objetivos de se programarem novas diretrizes à Revista – obtinhase

a série. Nesse caso, tivemos duas séries: a primeira, composta das revistas editadas entre 1881 e

fevereiro de 1885, e a segunda, com os fascículos publicados de setembro de 1885 até janeiro de 1886.

Sobre os assinantes e leitores do periódico, pouco se apurou: havia um público garantido, formado

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nas bibliotecas pertencentes aos grêmios, como também aqueles com os quais a Seção fazia permuta

de exemplares – ou seja, os próprios filiados da Seção ou a estes relacionados. Certamente, a imperatriz

Teresa Cristina foi umas das leitoras, pois a coleção encontrada no IHGB, uma série especial, com capa

de luxo, pertenceu à personalidade em questão.

A partir da segunda série e, aparentemente, acompanhando a própria sofisticação da Seção, que

passou a se organizar em subseções, houve a inclusão de resumos em francês dos artigos, ao fim de

cada fascículo. Atribuímos a inclusão desses resumos às pretensões de se obter um alcance maior para

a Revista; afinal, a Seção publicava notícias de sociedades de geografia francesas, traduzindo seus

artigos, e com elas trocava publicações.

Via de regra, cada periódico se compunha de “Notas da Redação” ou “Declaração”, apresentando,

comentando, prometendo regularidade, ineditismo e novos fascículos, funcionando, assim, como

pronunciamento da equipe de redação sobre a Revista; “Sumário”; artigos; seção intitulada “Crônica

Geográfica”32, contendo inúmeras notas sobre temas do movimento geográfico mundial e, ao final, o

“Expediente”, indicando usualmente publicações recebidas pela Seção ou por ela enviadas para outras

instituições, a incluir por vezes comentário bibliográfico.

Não fugindo ao ecletismo da geografia – generosa mãe, sempre disposta a abraçar todos os temas

– as discussões e artigos apresentam um amplo leque temático, versando sobre assuntos aparentemente

tão díspares quanto a adoção de um meridiano único, a fauna e a flora brasileiras, a glótica, o tupi,

a construção do Canal do Panamá, escavações de cidades na Babilônia, múmias no Egito etc.

Poucas foram as vezes em que se contou com ilustrações, à exceção do relato da expedição de

Ladislau Netto33, quando foram reproduzidos desenhos do autor. Somente em alguns raros momentos,

quando da inclusão de atas de reuniões extraordinárias tratando de posse de diretorias, homenagens a

expositores convidados, como também em algumas crônicas, consegue-se entrever os bastidores da

Seção. Nas suas linhas gerais, os pronunciamentos da Redação são comedidos e escassas são as transcrições

de opiniões.

A rigor, considerando-se somente os títulos listados nos sumários das revistas, não se detectariam

alterações passíveis de serem consideradas como fases distintas do periódico, sob qualquer

aspecto; afinal, os temas parecem estar distribuídos de forma a contemplar os objetivos explicitados

quando da criação da Seção portuguesa: engajamento no movimento geográfico mundial, fundamentalmente

a exploração do continente africano, e dados relativos ao território brasileiro.

Entretanto, ao olharmos com mais atenção a distribuição dos temas, tendo em vista a região

abordada e as diretorias da Seção e da Revista, conseguimos demarcar três fases.

Na primeira delas, relativa a 1881, com o Barão de Teffé na presidência do grêmio e Fernando

Mendes como redator em chefe34, metade dos títulos focalizou o Brasil, enquanto os demais pontos do

índice se distribuíam entre África, América Latina e demais partes do mundo (Gráfico 1).

 

22 julho 2009

Apostila grátis - pesquisa operacional

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PESQUISA OPERACIONAL ("OPERATIONS RESEARCH")

 

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1.1. CONCEITO

1.2.  

Não há definição unânime para Pesquisa Operacional (P.O). A P.O é, mais, um conceito

(abstração, idéia), muito abrangente, sobre a busca da melhor utilização (técnica, econômica,

social, política) de recursos (escassos) e processos (diversos), através da aplicação de

métodos científicos, visando a maior satisfação (utilidade, prazer) do cliente (usuário,

público), definidos num contexto (conjunto, totalidade).

O desenvolvimento de um trabalho de P.O envolve equipes multi-disciplinares para a

aplicação dos métodos científicos a problemas reais encontrados nos sistemas de produção

de bens e serviços, como ferramenta auxiliar para a tomada de decisões, em quaisquer

setores e níveis da economia.

1.2. HISTÓRICO

Em comemoração à passagem de seus 25 anos de existência, a Sociedade Brasileira de

Pesquisa Operacional (SOBRAPO) publicou, em 1993, o resultado de uma pesquisa junto a

empresas e instituições brasileiras de ensino, com o objetivo de fornecer um retrato do uso e

do ensino da Pesquisa Operacional em nosso país: SOBRAPO. Vinte e Cinco Anos de

Pesquisa Operacional no Brasil. Rio de Janeiro, Sociedade Brasileira de Pesquisa

Operacional, 1993. 139 p. (Edição Comemorativa).

Nos anos 50, professores da USP, ITA e PUC-RJ, com formação no exterior, criaram os

primeiros cursos de graduação que incluíam disciplinas de P.O, como o de Engenharia da

Produção, e que foram incluídas também em outros cursos, já existentes, como os de

Economia, Engenharia, Matemática e Estatística.

A partir de 1960, a criação de cursos de pós-graduação na área de P.O e a aquisição dos

primeiros computadores multiplicaram as possibilidades de sua aplicação. Várias empresas

começaram a utilizar a P.O, estreitando um proveitoso relacionamento com as

Universidades.

O primeiro exemplo desta relação foi o da PUC-RJ com as empresas SOCIL e Anhanguera,

para o desenvolvimento de programas de minimização de custo de rações para animais,

através de Programação Linear.

Mas os principais setores a empregar técnicas de P.O, na época, foram os de siderurgia

(CSN, Cia. Vale do Rio Doce), eletricidade (Cia Nacional de Energia Elétrica), transportes

(FRONAPE), petróleo (PETROBRÁS, ESSO) e telecomunicações, além de grandes

projetos e obras estatais.

Em função disso, foi criada, em 1968, a Sociedade Brasileira de Pesquisa Operacional

(SOBRAPO).

A década seguinte consolidou a P.O, no Brasil, com o maior interesse das empresas e o

maior contingente de profissionais habilitados na área, permitindo a formação de grupos

próprios de P.O, visando a solução de

problemas táticos e o planejamento estratégico, naquelas empresas.

Em 1978, a SOBRAPO organizou o 1º Seminário de P.O Aplicada à Agropecuária

(SEPOAGRO), em Campinas (S.P.), sendo o segundo realizado em Viçosa dois anos depois.

Nos anos seguintes, embora consolidada, a P.O aplicada ao planejamento estratégico de

empresas perdia o sentido frente à situação imprevisível da economia nacional. Ao mesmo

Pesquisa Operacional Prof. Cristiano Agosti

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tempo, no entanto, houve grande incremento do instrumental científico, com o

desenvolvimento de softwares e dos microcomputadores.

Profissionais da área, citados na edição comemorativa dos 25 anos da SOBRAPO (1993),

acreditam que a P.O ganha um novo impulso, nesta década, nas áreas de administração

(tomada de decisões), visando a qualidade dos processos de produção e atendimento

(serviços, desenvolvimento de linhas de produtos, comercialização e marketing).

1.3. PESQUISA OPERACIONAL - PO NAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS

UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas (SP)

Desenvolve, desde 1975, aplicações de modelos de simulação no planejamento de recursos

hídricos (Faculdade de Engenharia Civil) e de P.O na agricultura, formando um grupo de

consultores independentes (UNISOMA) e vários convênios com empresas como a

PETROBRÁS, ELETROBRÁS, TELEBRÁS e IBM, dentre outras.

INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (SP)

Criou cursos de pós-graduação, a partir de 1978, em várias linhas, dentre elas: o

desenvolvimento de softwares, pesquisas relacionadas à inteligência artificial e P.O

(otimização combinatória, aplicada em áreas da Coordenação de Observação da Terra,

processos estocásticos e simulação). Utiliza os resultados destas pesquisas, por exemplo, em

trabalhos de roteamento de distribuição de água para comunidades do Ceará (Governo do

Estado), estudos de confiabilidade do primeiro satélite brasileiro, por meio de simulação, e

otimização dos processos de operação de fábricas de circuitos impressos.

ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica (SP)

Desde 1961, mantém cursos de pós-graduação em Engª da Produção e, a partir de 1973, em

P.O., desenvolvendo processos estocásticos e planejamento da produção aplicados às áreas

de planejamento energético, transportes aéreos e planejamento da produção de empresas,

como a EMBRAER.

IME - Instituto Militar de Engenharia

A P.O é parte do curso de Engª de Sistemas. O Instituto relaciona-se com a Marinha, o

Exército e com diversas empresas, aplicando suas pesquisas em projetos nas áreas de

comunicação via satélite, problemas de localização e de roteamento (otimização) e de

qualidade em sistemas (gestão em Qualidade Total e qualidade de softwares).

USP - Universidade de São Paulo (SP)

Mantém cursos de P.O em nível de pós-graduação desde a década de 60. Os principais

núcleos de P.O estão na Escola Politécnica (Departamento de Engª da Produção, Engª Naval

e Engª de Transportes), Faculdade de Economia e Administração e Instituto de Matemática e

Estatística (Centro de Computação e Matemática Aplicada). Relaciona-se com empresas

Pesquisa Operacional Prof. Cristiano Agosti

3

como a INFRAERO, MARINHA, DERSA e DOCAS, além de atuar junto aos mercados

financeiros e Bolsa de Valores (bolsa de mercado futuro, através de simulação, cenários e

análises de risco).

UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro (RJ)

A COPPE (Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia) criou o Programa

de Engª da Produção em 1967, com as áreas de Gerência da Produção e de Pesquisa

Operacional. Os Programas de Engª de Sistemas, Computação, Administração, Engª de

Transportes e o Instituto de Matemática também incluem a P.O. . As áreas de

concentração teórica destes grupos são: programação matemática, grafos, combinatória,

aplicações estatísticas, simulação, otimização, ciências da computação (desenvolvimento de

softwares e algorítmos). A COPPE relaciona-se com diversas empresas públicas (Telerj,

Cepel, governos estaduais) e privadas (IBM). Sua contribuição teórica ao desenvolvimento

da P.O pode ser atestada pelo número de Teses defendidas (331, até 1992).

PUC - Pontifícia Universidade Católica (RJ)

Inclui a P.O em seus cursos de Engª Industrial, Engª Elétrica, Informática, Engª da Produção

e de Sistemas. As aplicações estão nas áreas de finanças (análises de investimentos de risco e

mercado de capitais), gerência da produção (logística, localização, planejamento empresarial

e controle de qualidade) e na área de transportes (redes, planejamento de operações).

Desenvolve os aspectos metodológicos, como a modelagem, para problemas de grande porte,

na área de programação matemática, bem como estudos de previsão (redes neurais), de

análise de séries temporais e de inteligência artificial nos processos de decisão. Relaciona-se

com diversas empresas, como a PETROBRÁS, Cia. Vale do Rio Doce, DATAPREV, MBR,

Estaleiro Mauá, Rede Globo, Bamerindus e Brahma.

UFV - Universidade Federal de Viçosa (MG)

A P.O desenvolveu-se, a partir dos anos 60, com a criação da disciplina de Programação

Linear a cargo do Departamento de Matemática, no curso de mestrado em Economia Rural.

Com a aquisição do primeiro computador, na década de 70, disciplinas de Programação

Linear e Não-Linear foram incorporadas também a outros cursos (Engª Florestal, de

Alimentos, Engª Agrícola e de Zootecnia). Nos anos 80, foi criado o curso de graduação em

Informática e novas disciplinas de P.O foram incluídas nos diversos cursos de graduação. A

UFV desenvolveu sistemas de Programação Linear e Otimização em Redes(PROL, PROLIN

- para microcomputadores, e REDE) para aplicação em problemas de localização, tipo e

tamanho de baterias de fornos para carvão vegetal, planejamento florestal, avaliação genética

de espécies, gerenciamento de laticínios e para atividades de controle na central de

processamento de dados, dentre outras.

Outras Universidades

Muitas outras Instituições brasileiras mantêm cursos de graduação e de pós-graduação em

que as aplicações das técnicas de P.O são enfatizadas. É o caso da U.F. de Juiz de Fora, que

criou o Grupo de Estudos de Simulação, que atua em análises de impacto por simulação; o

Pesquisa Operacional Prof. Cristiano Agosti

4

Núcleo de Pesquisas Econômicas, atuando em análises e previsões da produção industrial de

M.G., através de séries temporais. A Faculdade de Engª Elétrica desenvolve com a

EMBRAPA softwares para a agropecuária e um projeto de informatização da pecuária

leiteira (técnicas de análise de Cluster; para classificar dados de questionários, entrevistas e

bases de dados da EMBRAPA).

A U.F. do Ceará atua junto a diversas empresas de petróleo, energia, telecomunicações e

siderurgia, dentre outras. Na área de alimentos, desenvolve com a FRUTOP um sistema de

otimização da produção, atualizando o modelo através da geração de dois cenários mensais,

visando determinar a alocação de máquinas, quantidade matéria-prima, dimensionamento e

divisão da mão-de-obra, por turnos e por máquina, e planejamento da produção, por produto

e por máquina.

 

07 julho 2009

Apostila de Preactor

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DOWNLOAD (Editado em 28/05/2012)

O preactor é um software de simulação de produção capaz de auxilar sobremaneira os responsáveis pelo PCP das organizações.
Alguns dos grandes problemas enfrentados por quem quer dele fazer uso são:
1º falta de dados para efetuar a programação
2º falta de conhecimento na utilização do software.

Caso você tenha uma apostila do mesmo e queira divulgá-la na internet, fique à vontade enviando o link da mesma no comentário deste artigo.

Para colocá-la na net, use sites como easyshare.com e faça o upload do arquivo. Depois é so copiar o link e enviar para este site.

obrigado.

23 junho 2009

Apostila completa de Matemática Financeira

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Trecho da Apostila:

 

A Matemática Financeira tem base nos conceitos de fluxo monetário,tempo e equivalência financeira. Trata-se da relação entre valores financeiros e o tempo a que tais valores estão associados.O fluxo monetário caracteriza-se por conviverem, distribuídos na escala de tempo, entradas e saídas de valores monetários, tantas quantas houverem, representando eventos e suas dimensões financeiras. Isto quer dizer que estão distribuídos pagamentos e recebimentos ao longo do tempo, que não podem ser somados, diminuídos, multiplicados ou divididos, sem que se utilize de recursos que compensem as distâncias entre tais valores na escala de tempo em que se encontram.Com respe

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