27 julho 2009

Apostila de autocad

,

CAPÍTULO I

Download

 

1.      Inicialização

 

Para iniciarmos o AutoCAD 2006 é necessário dar um clique duplo no ícone da área de trabalho do seu computador.

 

 

2.      Configurações Iniciais

 

Configurações de arquivos, display, salvamento, impressão, sistemas, seleção, etc. são encontradas no Menu Tools ® Options. O AutoCAD já reserva algumas configurações básicas que no decorrer do treinamento podem ser alteradas para otimizar algumas funções.

 

 

3.      Familiarização

 

3.1  – Nome das Regiões

 

Veremos agora como é formado o ambiente de trabalho e as funções que ele exerce na elaboração de um desenho

Área Gráfica – É o local onde visualizaremos e utilizaremos todos os comandos de construção, visualização e modificação de um desenho. Esta área possui dimensões infinitas. No desenho acima vemos a área gráfica do espaço de modelação (model space).

*  Linha de Comando – É a área onde é mostrado comando que está sendo utilizado. Quando seu status é COMMAND: (sem nada escrito na frente) significa que o AutoCAD está esperando por um comando, ou seja, ele está sem nenhum comando. Esta área também indica, além do comando ativo, o que o comando nos pede. LEMBRE-SE: é muito importante acostumar a olhar sempre para esta região, pois ela mostra o comando que está sendo executado e os parâmetros necessários para concluí-los. A partir do AutoCAD 2006, esta região não pode ser desligada e podemos nos guiar somente pelo Dynamic Input, apesar deste nem sempre mostrar todas as opções dos comandos. Para desabilitar ou reabilitar a linha de comando, digite CTRL+9.

 

*  Contador de Coordenadas – É o valor numérico da posição do cursor de tela. Esta unidade é adimensional. Pode ser mm, cm, km, polegadas, etc..., ou qualquer outra unidade imaginada, pois o AutoCAD não trabalha com unidades no desenho, e todos desenhos serão feitos em escala real. Os números indicam as coordenadas cartesianas (X,Y). Por exemplo: 10,10 indica que a posição do cursor de tela é 10 (qualquer unidade) em relação ao eixo X e 10 em relação ao eixo Y.

 

*  Cursor de Tela – Mostra a posição que você se encontra na área gráfica. Assume também outras formas quando seleciona objetos.

 

*  Ícones de Atalho – São ícones que podem tornar mais rápido nosso trabalho, pois poupa-nos de ter que digitar um comando na linha de comando ou de entrarmos no menu de barras para ativá-lo.

 

*  Menu de Barras – Este é o menu superior, que contém todos os comandos do AutoCAD.

 

 

25 julho 2009

Calculo da Incerteza de Medição em Tarefas Especificas de CMMS através de simulação

,
 

Calculo da Incerteza de Medição em Tarefas Especificas de CMMS através de simulação

Na tentativa de solucionar o problema de cálculo de incerteza de medição em tarefas específicas de

Máquinas de Medir por Coordenadas - MMCs, iniciou-se o "desenvolvimento de um núcleo básico de

simulação para medições por coordenadas em forma de um "toolbox" Matlab®" (ABACKERLI

, 2005) que

esteve inicialmente limitado por sua característica mono-usuário e por possuir diversas limitações relativas à

entrada de dados e à comunicação com o usuário. Houve várias modificações nessa fase (1ª), pois em

função do seu conteúdo técnico complexo a interface ficou difícil de ser configurada, dificultando a sua

aplicação mesmo em problemas simples de simulação.

A 2ª fase as dificuldades de representação da configuração da medição fizeram as interfaces evoluir ainda

na forma de um aplicativo

stand-alone Delphi ®" (ABACKERLI, 2005). Nessa fase, foram resolvidos alguns

problemas de representação da medição, permitindo a validação da proposta para casos simples de

simulação, mas ainda manteve a forma de um aplicativo mono-usuário.

A 3ª fase tratou de melhorar os aspectos práticos necessários para o desenvolvimento desse tipo de

software, pesquisando junto a usuários de MMCs que forneceram novos parâmetros para um estudo

aprofundado sobre o desenvolvimento e o teste de software aplicado à simulação em metrologia.

Estudos também foram realizados através de um simulador comercial em desenvolvimento pela MetroSage ,

que permitiu gerar alguns parâmetros para o projeto e validação de simuladores que tem por objetivo realizar

a estimativa de incertezas na medição por coordenadas. Os estudos tiveram sua continuidade com a

análise de aspectos de usabilidade, configuração e similaridade (CARVALHO, 2005) destacando vários

pontos importantes da interface que podem ser aperfeiçoados e assim melhorar o uso da aplicação sob o

enfoque do usuário.

Destes estudos, partes do "toolbox" Matlab® foram aprimoradas já na sua 3ª versão. Essa versão trouxe

vários aspectos que melhoraram a compreensão sobre a medição por coordenadas e sobre o processo de

simulação. Após realizados os aperfeiçoamentos dessas e de outras características na representação da

medição, criou-se uma proposta do novo modelo de aplicação, que se encontra em implementação no

"projeto mãe", no qual a proposta aqui discutida é incorporada.

1/8

Para que a realização da proposta aqui discutida foi necessário investigar alguns aspectos importantes das

MMCs conforme Abackerli (2000) e Bosch (1995), além de estudar a operação da interface do simulador,

agora implementada como um aplicativo da WEB em linguagem Java.

Esses estudos auxiliaram o desenvolvimento e a implementação da comunicação entre interfaces (Java) e

rotinas de cálculos desenvolvidas em Matlab® (CHAPMAN, 2003; MATSUMOTO, 2004), permitindo realizar

uma comparação entre um software disponível no mercado e o simulador aqui discutido.

Proposta de pesquisa sobre o uso da simulação e sua aplicação com usuários

,

PROPOSTA DE PESQUISA SOBRE O USO DA SIMULAÇÃO E

 

Abstract

This Work has the aim to search, joined to the users of simulation software, the

problems found in its applications, dificults in trainning people and system modeling,

didatic material and others important problems which may be usufull for improving the

use of simulation. At last, this search proposes a new study methotology and a tutorial that

makes easier the training of students and professionals from several manufacturing fields.

This work will shows a research with questions about some doubts about simulation

studying and steps to modeling systems. This questions came up with some discussing in

simulation laboratory in São Carlos School of Engineering.

Keywords: Simulation, Trainning, Search

1. Introdução

Uma das maiores dificuldade das empresas, escolas, universidades, grupos de

trabalhos é encontrar uma forma de acompanhar o desenvolvimento tecnológico. Segundo

Toffler(1991) estamos no meio da terceira onda conhecida como " era da informação".

Todos os sistemas estão interligados e sofrendo uma forte influência do ambiente onde

estão e até de outros ambientes. Um exemplo deste fato tem sido a influência das

constantes quedas das bolsas de valores nos países conhecidos como Tigres Asiáticos, que

tem afetado os países com uma estrutura econômica bastante estruturada: como Estados

Unidos, Alemanha, Inglaterra. Essa influência interna é conseqüência da globalização que

une mercados, cria fluxos de informações mais rápidas e mais eficientes. A Internet é um

outro instrumento de informação que tem uma grande influência nos hábitos e costumes

das pessoas. A globalização influencia na economia, no comércio, na venda de produtos,

no tipo de clientes, nas empresas e também o aprendizado passa a ser influenciado por esse

processo de rapidez na aquisição da informação.

A pergunta que se espalha por instituições de ensino é como lidar com mudanças

tão rápidas? E como preparar pessoal especializado para enfrentar toda essa maratona no

mercado de trabalho? As discussões nesse sentido são geradoras de novas idéias, novas

ferramentas , além de novas aplicações para ferramentas e técnicas já desenvolvidas.

O jogo de empresa, a simulação, etc. são algumas ferramentas já conhecidas, mas

que tem sido utilizadas para aprimora o aprendizado não só de estudantes, mas de

profissionais de diversas áreas, melhorando sua maturidade e criatividade em lidar com

mudanças e até propor modificações para que a empresa possa crescer de forma mais

eficiente. Existem muitos fabricantes de softwares que oferecem as vantagens acima para

os clientes. Mas existe uma série de dúvidas quanto a aplicabilidade do softwares de

simulação em áreas diversas. Como: manufatura, comércio e etc. A partir dessas dúvidas

geradas de discussões acadêmicas surge o presente trabalho.

Este trabalho tem por finalidade desenvolver uma pesquisa onde serão levantados

os resultados do uso da simulação em sistemas de manufatura. Será apresentado a

justificativa da pesquisa; os conceitos de simulação e seus passos de desenvolvimento; a

metodologia que será aplicada na pesquisa e como deverá ser realizada a análise.

Jogos de empresa universitário - sistema didático pedagógico de simulação de gestão de negócios

,
 

JOGOS DE EMPRESAS UNIVERSITÁRIO UTP - SISTEMA DIDÁTICO-PEDAGÓGICO DE SIMULAÇÃO DE GESTÃO DE NEGÓCIOS

 

 

Elizabeth Macuco Zanetti Rodrigues

Daniel Weigert Cavagnari

 

A presente pesquisa busca criar um sistema acadêmico de simulação de negócios através dos diversos métodos existentes de aplicação dos jogos de empresas nas instituições de ensino.

Na pesquisa verificou-se que os jogos são aplicados de diversas maneiras e em diversas modalidades. Nas IES que utilizam esses jogos nos níveis de pós-graduação (MBA), por exemplo, verificou-se que os jogos são aplicados em um modelo único de mercado (oligopolista), onde os alunos são incentivados a uma competição. No modelo competitivo do jogo, os alunos buscam atingir o melhor resultado, individualmente (cada grupo) com o intuito de aprender com base na lógica real do mercado, ou seja, destacar-se pela pressão do mercado, evitando assim qualquer equilíbrio. Nesses modelos de jogo único utiliza-se o conhecimento prévio do aluno para suporte das tomadas de decisões, e o resultado esperado é o mesmo de qualquer jogo competitivo, ou seja, destacar um vencedor. Apesar de parecer que o vencedor será o único a atingir o escore satisfatório, não é, pois todos os demais (2º lugar, 3º, etc) têm pontuação muito próxima do 1º lugar. Para perder o jogo é necessário que a empresa simulada vá à falência.

Pela pesquisa feita até então, verificou-se que os jogos para graduação poderão ter um método em cada semestre do curso, a partir do 5º até o 8º período. Os alunos iniciam em um mercado de concorrência perfeita e avançam para níveis mais complexos, onde, dependendo do mercado e do tipo de produto, poderá ser considerada a concorrência, a P&D, P&P e a própria conjuntura econômica. Nos dois primeiros níveis de jogos (5º e 6º períodos) poderia ser criada uma metodologia com base na simulação de empresas em concorrência perfeita e monopolista, seguindo os modelos de jogos competitivos até então conhecidos. Já no nível do 7º período poderia ser feita a simulação de empresas oligopolistas, mas sem a competitividade "acirrada", e sim, a busca do equilíbrio, onde todos possam ser vencedores, ou seja, sem que um ou mais jogadores prejudiquem outros. Para isso, a pesquisa estuda a teoria dos jogos, verificando a aplicação dos métodos mais comuns dos jogos existentes. Com base nessa teoria poderá ser possível criar um ambiente de dificuldade real e tão imprevisível como parece ser no mercado prático.

Curso Básico Introdutório ao Programa de Simulação

,
 

Curso Básico Introdutório ao Programa de Simulação

 

O OrCad-Pspice é um programa de computador que pode ser utilizado para analisar

a operação de um circuito eletrônico contendo uma variedade de componentes, através de

especificações do usuário para os parâmetros dos modelos pré-existentes.

Objetivo:

Fornecer aos alunos noções básicas para a utilização do programa em simulações

relativas às disciplinas do curso de graduação em engenharia elétrica.

Sumário:

Parte I - OrCAD Capture

Iniciando o Programa.

Iniciando um Novo Projeto

Definindo Bibliotecas

Ambiente de Trabalho

Editando uma Página Esquemática

Inserindo e Conectando Componentes de uma Biblioteca

Editando Valores dos Componentes

Parte II – OrCAD Pspice A/D

Iniciando uma Nova Simulação

Ajustando Parâmetros de Simulação

Simulando com o Pspice A/D

Analisando os Resultados

Obtendo Maiores Informações

Ferramentas do Visualizador Gráfico

Personalizando Eixos e Escalas

Finalizações

Anexo I – Parâmetros de Fontes

Anexo II – Exercícios Propostos

OrCAD-PSpice 9.1

______________________________________________________________________________________________________________

______________________________________________________________________________________________________________

1

PARTE I – OrCAD Capture

Iniciando o Programa:

􀁥

Menu Iniciar 􀃎 Programas 􀃎 OrCAD Release 9.1 􀃎 Capture...

􀁥

Inicio de uma Sessão do Capture 􀃎 Toda sessão iniciada apresenta um menu principal e

uma janela de registro onde são informados ao usuário todas as ações realizadas durante

aquela sessão. As barras de ferramentas e de status também compõem o ambiente inicial.

Apostila de EWB

,
 

Apostila de EWB

Comandos básicos

Simulações

O que é o EWB (Electronics Workbench)

O EWB é um simulador eletrônico, que permite construir e simular circuitos

eletrônicos dentro da área analógica e digital, sendo de grande utilidade para os

estudantes de eletrônica.

Possui uma

interface de fácil acesso e compreensão, substituindo com muitas

vantagens as experiências em laboratórios convencionais, uma vez que, não existe o

risco de danificar equipamentos destinados aos ensaios e medidas de circuitos ou

componentes.

Sua vasta biblioteca permite simular experiências em condições ideais e reais,

pois os valores e parâmetros podem ser modificados de acordo com as necessidades

do projeto.

Existem versões deste programa para operar em ambiente DOS e WINDOWS,

sendo que neste curso abordaremos a versão para WINDOWS, o

EWB4.

Para acessá-lo basta clicar no ícone correspondente.

A utilização do mouse

A figura abaixo mostra um mouse de dois botões e respectivas funções. Os

botões <ENTER> e <ESC> possuem a mesma função das teclas <ENTER> e <ESC>

do teclado do computador.

Apostila Simulação da Máquina de Indução no Sistema de Coordenadas do Estator

,
 

Simulação da Máquina de Indução no Sistema de

Coordenadas do Estator

1. Introdução

Nesta apostila são apresentados os aspectos principais relacionados com a simulação

numérica da máquina de indução a partir das equações gerais da máquina de indução

descritas no sistema de coordenadas do estator. O conteúdo visa facilitar a

implementação das equações gerais utilizando um aplicativo comercial tal como

MathCad, Matlab, VisSim, Spice, etc...

2. Equações Diferenciais da Máquina de Indução na Forma Escalar

As equações que servem de base para a simulação da máquina de indução no Sistema de

Coordenadas do Estator (SCE) são as equações gerais, as quais descrevem todos os

regimes de funcionamento da máquina. Elas formam um conjunto de equações

diferenciais lineares conforme reproduzido abaixo. A linearidade decorre do fato que os

efeitos de saturação não são considerados de forma exata. A forma das equações abaixo

assume que o rotor da máquina é do tipo gaiola, as tensões aplicadas no rotor são

portanto nulas. Além disso, a máquina está ligada em estrela sem neutro:

Apostila Desenvolvimento de Algoritmos de Simulação

,
 

Introdução

Esta apostila tem o intuito de auxiliar os alunos da disciplina Sistema de Controle II no desenvolvimento de algoritmos de simulação de sistemas de controle. Os comandos e as instruções básicas, para o desenvolvimento dos algoritmos de controle, a serem executados nos softwares Scilab, Matlab e na ferramenta Simulink são apresentados.

Comandos e Instruções do software Matlab

Os comandos utilizados no software Matlab para a simulação de um sistema de controle são iguais aos do software Scilab. Uma diferença está no símbolo para escrever um comentário, neste caso o símbolo utilizado é: "%".

Para criar um arquivo de script no Matlab clique em "File", "New" e "M-File". Nesta nova janela, escreva seu algoritmo, salve-o com extensão ".m", e para executá-lo digite "F5".

Apostila de Modelagem e Simulação de Sistemas

,
A Simulação de Sistemas
 
 
 
Download apostila completa
 

 

A simulação pode ser vista como o estudo do comportamento de sistemas reais através

do exercício de modelos. Um modelo incorpora características que permitem representar o

comportamento do sistema real [LAW1982]. Sistema pode ser interpretado como uma coleção de

itens entre os quais se possa encontrar ou definir alguma relação de funcionalidade.

O termo simulação é bastante genérico, visto que são variadas as formas e mecanismos

utilizados para a representação do comportamento de sistemas. O termo simulação também

possui grande abrangência em relação ao seu campo de aplicação. Por exemplo, a simulação pode

ser aplicada na industria, organizações públicas, na representação de software/hardware, entre

outros.

Os benefícios da simulação de sistemas, aliados à agilidade oferecida pelos meios

computacionais, têm sido largamente utilizados como ferramenta auxiliar na solução de

problemas diversos. Justifica-se tal afirmação considerando que, com o uso de um computador,

uma grande quantidade de eventos pode ser executada em curto espaço de tempo.

De modo geral, o uso da simulação é recomendado principalmente em dois casos.

Primeiro, quando a solução de problemas é muito cara ou mesmo impossível através de

experimentos. E em segundo, quando os problemas são muito complexos para tratamento

analítico. Com o uso da simulação, principalmente quando se observam características

estocásticas, sistemas podem ter seu comportamento representado com maior fidelidade e

realismo.

São fatores que tornam desejável o uso de técnicas de simulação [FIL95] aliadas aos

benefícios computacionais:

Tempo: em computador é possível realizar experimentos que, se executados

sobre o sistema real, poderiam consumir anos;

Custo: embora a simulação em computador exija recursos humanos e alguns

equipamentos, geralmente o custo se mantém muito abaixo se comparado à

execução de experimentos sobre o sistema real;

Impossibilidade de experimentação direta: há situações em que experimentações

diretas no sistema real não podem ser realizadas por questões de segurança, de

tempo, de acesso, ou ainda de inexistência (sistema em construção);

Visualização: os computadores oferecem recursos que facilitam a visualização dos

resultados de uma simulação (gráficos, tabelas, entre outros), bem como do

estado do sistema durante o exercício de um modelo;

Repetição: depois de construído, um modelo de representação pode ser

executado n vezes a um custo muito baixo;

Interferência: um modelo é extremamente mais flexível para a realização de

mudanças se comparado a um sistema real. Esta é uma característica bastante

5

desejável no estudo de sistemas com objetivos de geração de informações de

apoio a tomada de decisões.

Modelos de simulação podem ser considerados como uma descrição do sistema real. O

exercício (execução) de modelos de simulação em computador tem potencial para fornecer

resultados mais precisos sem que seja preciso interferir no sistema real. Tais resultados, quando

analisados estatisticamente, produzem informações que podem contribuir grandemente na

tomada de decisões que visam a solução de problemas.

Um outro ponto relevante a considerar em simulação é a ordem de ocorrência dos

eventos. Considera-se como evento (mudança de estado) qualquer acontecimento que interfere

no sistema. Como a simulação trata do comportamento de sistemas, ou seja, ordem em que os

eventos acontecem, é essencial que uma variável de tempo seja contabilizada. O tempo em que

cada evento ocorre é estudado para avaliar se este evento deveria ocorrer naquele instante, antes

ou depois.

Restringindo um pouco mais a simulação de sistemas para os meios computacionais, e

considerando os modelos como um dos métodos de representação de sistemas, o seguinte

conceito pode ser adotado:

"Simulação é uma técnica numérica para realizar experiências em um

computador digital, a qual envolve certos tipos de modelos lógicos que descrevem o

comportamento de um sistema sobre extensos intervalos de tempo."[xxx]

Basicamente, o uso da simulação pode oferecer vantagens quando necessário [FIL95]:

Estimar distribuição de variáveis aleatórias;

Testar hipóteses estatísticas;

Comparar cenários representando diferentes soluções para um problema em

estudo;

Avaliar o comportamento de uma solução analítica;

Avaliar um processo de tomadas de decisão em tempo real.

1.1 Um pequeno histórico

Nas décadas de 60 e 70 a simulação era excessivamente cara e utilizava ferramentas que

geralmente só eram disponíveis em grandes corporações. A mão de obra precisava ser

especializada, pois a construção e execução de modelos dependia de conhecimentos muito acima

da média observada em usuários comuns. O grupo que trabalhava em simulação geralmente era

composto por doutores que desenvolviam sistemas grandes e complexos utilizando as linguagens

disponíveis na época, tais como o Fortran.

No final da década de 70 e na década de 80, os computadores foram se tornando mais

rápidos e mais baratos. Nesta época, por exemplo, as linhas de montagens de carros passaram a

utilizar a simulação para resolver problemas tais como de segurança e otimização da linha. Nesta

mesma época, a simulação começou a ser utilizada em negócios e por estudantes e pesquisadores

que descobriram seu potencial.

No final da década de 80 o valor da simulação foi reconhecido por muitas organizações.

Tanto, que várias delas fizeram da simulação um requisito para que investimentos grandes

pudessem ser aprovados. No entanto, organizações pequenas raramente utilizavam essa técnica.

6

Nos anos 90 a simulação atingiu um grau de maturidade suficiente para que seja adotada

por organizações de variadas áreas e diferentes portes. É utilizada em estágios iniciais de projetos,

em animações, pesquisa, entre outros. Este avanço foi principalmente possível pelo surgimento

de ferramentas voltadas para a simulação e fáceis de usar, e pela disponibilidade de computadores

mais rápidos e baratos.

Apostila Básica sobre Simulação - sistemas discretos

,
O que é Simulação?
 
 
 
 

Fazer simulação requer mais do que exatos conhecimentos de como usar um

produto de simulação. Um estudo de simulação é, por sua natureza, um projeto maior.

Como qualquer projeto, há tarefas para serem completadas e recursos que são exigidos

para completá-las. Para um projeto de simulação ser bem sucedido, este tem que ser

planejado com um entendimento das exigências de cada uma das tarefas envolvidas.

Falhas são resultados de atos precipitados dentro de um estudo de simulação, atos

realizados sem primeiro considerar os passos envolvidos e sem desenvolver um plano

para o procedimento de realização do estudo.

A modelagem de simulação requer boa habilidade analítica, estatística, de

comunicação em organização e em engenharia. O modelador deve entender do sistema

analisado e ser hábil parar escolher através do complexo relacionamento de causa e

efeito o que determinará a execução do sistema. Os fundamentos básicos em estatística

são necessários para, apropriadamente, se projetar experimentos e, corretamente,

analisar e interpretar dados de entrada e saída. Quando em comunicação com os

requisitantes, durante um estudo de simulação, é também vital assegurar que o modelo

proposto seja utilizado e que todos entendam os objetivos, suposições e resultados do

estudo.

2. Procedimento Geral

Uma decisão para fazer simulação, usualmente, resulta da percepção de que a

simulação pode ajudar a resolver um ou mais problemas, associados com o projeto de

um novo sistema, ou a modificação de um sistema existente. Antes do lançamento de

um projeto de simulação, um ou mais indivíduos internos deverão ser designados para o

estudo, os quais deverão possuir ao menos um conhecimento básico sobre o sistema a

ser estudado e sobre os resultados esperados. Informações básicas suficiente deverão ser

obtidas acerca da natureza do problema para determinar se a simulação é uma solução

adequada. Se a simulação está sendo conduzida por indivíduos da própria empresa, estes

Simulação

1.4

Laboratório de Simulação e Controle de Sistemas Discretos

NUMA / USP-São Carlos

deverão possuir conhecimentos básicos sobre as operações envolvidas no estudo. Para

estranhos ou aqueles não familiarizados com as operações, deverá ser providenciado

uma descrição mínima do sistema e uma avaliação das atividades chaves do sistema.

Uma vez que uma aplicação ou projeto tenha sido identificado como candidato

a ser estudado através da simulação, decisões deverão ser tomadas acerca de como

conduzir os estudos. Não há normas oficiais sobre como executar um estudo de

simulação, contudo os seguintes passos são geralmente recomendados como pauta

(Shannon, 1975, Gordon, 1978 e Law, 1991):

Planejamento do estudo;

Definição do sistema;

Construção do modelo;

Execução dos experimentos;

Analise das saídas;

Execução dos relatórios & resultados.

Cada passo não necessita ser completado inteiramente antes de se partir para o

próximo. O procedimento para se fazer uma simulação é interativo, no qual as

atividades são refinadas e algumas vezes redefinidas com cada iteração. Descrevendo

estes processos iterativos, Pritsker e Pegden (1979) observaram:

Os estágios de simulação são raramente executados em uma seqüência

estruturada, começando com a definição do problema e terminando com a

documentação. Um projeto de simulação pode envolver falsas partidas, suposições

errôneas as quais devem, mais tarde, ser abandonadas, reformulações dos objetivos do

problema, repetidas avaliações e reprojeto do modelo. Se apropriadamente feito, este

projeto iterativo resultaria em um modelo de simulação o qual utiliza alternativas e

realça as decisões tomadas no andamento do processo.

Apostila de simulação gerencial

,

APOSTILA DE SIMULAÇÃO GERÊNCIAL

 
 

Sumário

Introdução.................................................................................................................... 02

1)          Conceito de Empreendedorismo.................................................................... 05

2)          Escolha da Empresa para o Trabalho Prático............................................... 07

3)          Economia........................................................................................................... 11

4)          Planejamento Estratégico(A)........................................................................... 17

5)          Planejamento Estratégico(B)........................................................................... 20

6)          Planejamento Estratégico(C)........................................................................... 22

7)          Marketing(A)....................................................................................................... 25

8)          Pesquisa de Mercado(A)................................................................................. 31

9)          Pesquisa de Mercado(B)................................................................................. 37

10)    Pesquisa de Mercado(C)................................................................................. 45

11)    Marketing(B)....................................................................................................... 49

12)    Marketing(C)...................................................................................................... 54

13)    Organização Sistemas e Métodos.................................................................. 62

14)    Sistema de Informações Gerenciais............................................................... 72

15)    Administração de Pessoal............................................................................... 77

16)    Administração de Materiais............................................................................. 83

17)    Contabilidade..................................................................................................... 87

18)    Administração Financeira(A)........................................................................... 93

19)    Administração Financeira(B)........................................................................... 98

20)    Administração Financeira(C)........................................................................... 103


INTRODUÇÃO

 

Esta Apostila foi planejada e construída com a intenção de fornecer ao leitor uma visão baseada em conceitos didáticos já previamente vistos. É de fundamental importância que o leitor já tenha visto todos os conteúdos de um curso de Administração regular para que entenda e aproveite de forma pratica o assunto desta apostila. Se for necessário revise alguma disciplina ou tire algumas dúvidas sobre algum assunto. Isto porque esta apostila resume estas disciplinas em um trabalho que realizaremos passo a passo para que ao final tenhamos uma empresa com as idéias gerais definidas e uma empresa pronta para ser implantada ou reorganizada. Para isso iremos fazer uma revisão rápida dos conteúdos necessários para que o leitor possa desenvolver uma idéia de empresa e buscar um roteiro para que realize os passos imprescindíveis para concretizar esta idéia de concepção de uma empresa, seja ela de fabricação de algum produto ou prestação de serviços.

24 julho 2009

Apostila de Geografia do Brasil - o processo de industrialização nacional

,

DOWNLOAD

 

Em 1889, a população brasileira aumentara par a14 milhões de

habitantes, ainda concentrados na faixa costeira; O

intercâmbio comercial alcançou 50 milhões de libras; e 9000

km de ferrovias e 1000 km de linhas telegráficas conectaram

a região costeira, fortalecendo a estrutura espacial em

arquipélago”, com uma grande concentração de infraestrutura

na “ilha” da região cafeeira.

! Aparelhada comercial e financeiramente, a lavoura do café se

constituiu num complexo agro-exportador, gerando uma

burguesia cafeeira.

! A Primeira República (1889 a 1930) se caracterizou como a

“República dos Coronéis”, isto é, dos latifundiários com grande

poder local, mas sob a hegemonia de São Paulo e Minas Gerias;

! Neste período, inicia-se um processo de “globalização” da

economia-mundo sob a hegemonia dos EUA. As diferentes

Geografia do Brasil – Sandra Costa

2

partes do planeta foram incorporadas de modo diverso, de

acordo com as circunstâncias históricas de cada área;

! O Brasil manteve e reforçou seus laços com a economia-mundo

consolidando seu capitalismo industrial nacional com a maior

participação do Estado, que veio exercer um crescente

controle sobre o mercado interno.

! Na 1a metade do séc. XX, a economia brasileira continuou

dominada pelo complexo agro-exportador cafeeiro, que

solicitou crescente intervenção para sua proteção. Após 1930,

o Estado começou também a planejar o desenvolvimento

industrial. Além disso, a consolidação do território nacional

transformou-se num crescente recurso simbólico para a

legitimação do Estado.

! Depois da 2a Guerra Mundial, os Estados Unidos adquiriram

influência definitiva na América Latina. O Brasil posicionou-se

na economia-mundo através de um processo de

industrialização politicamente dirigido, através de uma

estreita parceria entre o CAPITAL MONOPOLISTA

Geografia do Brasil – Sandra Costa

3

ESTRANGEIRO, O CAPITAL ESTATAL E O CAPITAL

PRIVADO NACIONAL => FAMOSO MODELO TRIPÉ

! A economia exportadora foi a forma de incorporação do Brasil

no emergente capitalismo monopolista mundial do final do séc.

XIX (formação de empresas exportadoras, estabelecimento

de infra-estrutura, promoção de imigração);

O CONTROLE DO TERRITÓRIO

! Na 1a República começou a se alterar o significado do

território: ele passou a ser utilizado como instrumento de

legitimação do Estado e precondição para a unidade nacional,

sendo realizado por meio das atividades diplomáticas e

militares. Assim, a estratégia diplomática foi essencial na

consolidação dos limites setentrionais.

! Em 1891, teve início uma série de negociações para a definição

dos limites nacionais envolvendo a Amazônia, face ao valor que

a borracha adquiriu na balança comercial do país;

 

A geografia no Brasil nos últimos anos do Império

,

DOWNLOAD

 

Geography at the empire´s last years

CRISTINA PESSANHA MARY

 

Departamento de Geografia – UFF

 

RESUMO: Com o presente artigo busca-se compreender o significado da geografia nos últimos anos do Império. Para tal,

concentramos nossa atenção no funcionamento da Seção da Sociedade de Geografia de Lisboa no Brasil, na sua composição

social e, sobretudo, na análise do periódico editado por essa filial. Durante os anos em que circulou, entre 1881 e 1886, e

acompanhando as sucessivas diretorias da Seção, a linha editorial da Revista da Sociedade de Geografia de Lisboa no

Brasil alterou-se ao sabor de perspectivas diferenciadas para a geografia, dentre elas, a aspiração portuguesa de engajar o

Brasil nas disputas pelo continente africano. Todavia, a nova conjuntura política republicana terminou por inviabilizar o

projeto luso de um Brasil como continuidade ibérica, esvaziando de sentido a própria Seção.

Palavras-chaves: geografia; revista de geografia; significado da geografia.

ABSTRACT: This paper is pursuing the meaning of geography throughout the empire’s last years. To achieve that we

focused both on the performance of the Seção da Sociedade de Geografia de Lisboa no Brasil concerning its social structure,

and, particularly on the analysis of the periodicals published by this branch. From 1881 to 1886, the span of its distribution

and, along with the successives Section’s board of directors, one can notice that the editorial profile of the Revista da Seção

da Sociedade de Geografia de Lisboa no Brasil, has experienced a change, led by differents perspectives for geography,

among them, the Portuguese aspiration to involved Brazil into the quarrels for Africa. The new republican political

circumstances, however, ended up by thwarting the Portuguese project where Brazil would be seen as an Iberian extension,

voiding therefore the very role of the Section.

Key words: geography society; geography magazine; meaning of geography.

 

Introdução

 

Este artigo se constitui em contribuição ao estudo da geografia no Brasil de fins do Império. Concentramos

nossa atenção na Seção da Sociedade de Geografia de Lisboa no Brasil, procurando avaliar

seu significado, desde sua criação, em 1878, até 1888, quando se obteve notícia de sua última diretoria.

Tal proposta, aparentemente simples, ganhou ares de intrincada trama, quando focalizamos o Rio

de Janeiro na década de 1880. Naquele momento, a cidade parecia respirar geografia, abrigando, além

da Seção, mais dois institutos similares, ambos carregando em seus nomes a denominação “geografia”,

a saber, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), criado em 1838, e a Sociedade de Geografia

do Rio de Janeiro1 (SGRJ), de 1883.

Movimentando esse quadro, a profunda cisão no interior da própria Seção da Sociedade de Geografia

de Lisboa no Brasil, em 1881, quando um grupo abandonou a associação, inconformado com o

veto de Lisboa à tentativa de transformação da própria Seção em outro grêmio, de cunho nacional.

O interesse pela geografia naquele período não era incomum. Nesse último quartel do século

XIX, inúmeras sociedades geográficas, como os institutos da Corte, animavam as capitais européias,

ganhando força também na América Latina. Desde a década de 1960, estudos realizados sobre institutos

REVISTA DA SBHC, Rio de Janeiro, v. 3, n. 2, p. 156-171, jul. | dez. 2005

157

como os de Paris, Londres, Espanha, na sua maioria, apontaram a sua funcionalidade no quadro das

ambições expansionistas dos Estados nacionais europeus2.

Esse foi o caso da própria matriz da Seção, a Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL)3. Tal organização,

criada em 1875, por um grupo de intelectuais, esteve à testa do movimento colonialista

português, quando não se mediram esforços em prol da manutenção dos territórios africanos, percebidos

como garantia para um futuro de grandeza para a nação portuguesa4.

A política colonial, entretanto, não explica a existência desses estabelecimentos em áreas como a

América Latina. Tomá-los apenas como agentes do imperialismo seria desconhecer o seu papel na

formação de identidades nacionais das ex-colônias.

Pesquisas voltadas para os institutos de geografia da América Latina salientaram o seu peso nas

políticas de cunho nacional. Assim, Leôncio Lópes-Ocón5, ao comparar os institutos do gênero no

Peru, Bolívia, México, Costa Rica e Argentina, mostrou sua importância como instrumentos de organização

desses espaços nacionais.

No Brasil, é voz corrente nas ciências sociais o papel da história e da antropologia na composição

de um rosto para a nação. Nos limites da realidade brasileira, a ligação entre a história e a construção

da nacionalidade não escapou aos que se debruçaram sobre o IHGB6.

Entretanto, acreditamos que a geografia não fez por menos. Pesquisas mais recentes sobre a SGRJ7

também apontam para a vinculação da geografia com o projeto nacional. Neste estudo, comungando

com tal hipótese, esperamos compreender melhor a articulação entre o significado da geografia no

Brasil em fins do Império e a política nacional.

O estudo da geografia na cidade do Rio de Janeiro, em fins do século XIX, tinha um gosto diferente,

apimentado tanto pela questão da inusitada proliferação de grêmios em uma mesma cidade, quanto

pela cisão no interior da Seção. Afinal, se a geografia esteve atrelada a um projeto para a nação, como

pensa a historiografia, cabe responder o que então separava os institutos e qual a razão da divisão no

interior da Seção.

Acredita-se que a origem dessa multiplicação de grêmios esteja calcada nas divergências quanto

à concepção de geografia nacional, mais precisamente quanto à idéia de nação. Não se descurou, no

entanto, de outras possibilidades, relativas às questões que sacudiram o Império nos seus momentos

finais, como o abolicionismo e o movimento republicano.

Sendo assim, na busca de um enredo coerente para essa história e levando-se em conta que a

filial da Sociedade de Geografia de Lisboa constituiu-se como ponto de interseção de várias tradições

de geografia, procedemos ao exame do periódico publicado por essa associação. Nesse processo de

interpretação, no entanto, foi necessário ultrapassar o texto da Revista, pois, em muitos casos, o nexo

das geografias só se fez nos fios da memória e das biografias daqueles que nela escreviam, agentes da

política em primeira instância.

A Seção da Sociedade de Geografia de Lisboa no Brasil

Reunidos na legação de Portugal no Rio, então residência do visconde de São Januário, vindo ao Brasil com

as instruções e credenciais necessárias fornecidas pela Sociedade de Geografia de Lisboa, 14 sócios correspondentes

dessa Sociedade, dentre barões, viscondes, generais e doutores, constituíram a Seção na cidade do Rio de Janeiro8.

No discurso proferido durante a reunião de criação da Seção da Sociedade de Geografia de Lisboa

REVISTA DA SBHC, Rio de Janeiro, v. 3, n. 2, p. 156-171, jul. | dez. 2005

158

no Brasil, o visconde de São Januário9, em clara alusão às aflições acerca das disputas colonialistas no

continente africano, afirmou o desejo de Portugal de não ficar atrás no “certame em que se empenhava

o mundo civilizado” [...] “o grande movimento europeu para as grandes descobertas em África onde os

problemas sociais e científicos poderiam encontrar sua verdadeira solução”10.

Suas palavras revelaram os objetivos da matriz em Portugal, preconizando “a exploração portuguesa

em África”, missão em andamento tendo em vista o fato de que alguns associados já estavam “percorrendo

esse vasto continente, empreendendo importantes trabalhos de descobertas e reconhecimentos,

estudando principalmente as relações dos vastos sistemas hidrográficos ocidentais e

orientais da África equatorial e austral”.

Abordando a iniciativa do rei Leopoldo II11, da Bélgica, na tarefa de “abrir o continente africano à

civilização européia e de extinguir o tráfico da escravatura”, o cônsul reconheceu ser essa uma tarefa

gloriosa e concluiu ser indispensável para Portugal aumentar o número de expedições, tendo em vista

os fins enumerados.

Escorado em argumentos acerca do universalismo da ciência na batalha do progresso, capaz de

irmanar sócios de nacionalidades diferentes, verdadeira preleção acerca dos benefícios advindos da

participação da Sociedade de Geografia de Lisboa na política colonial portuguesa de manutenção dos

territórios africanos foi destilada.

O visconde anunciou ainda a criação, por Portugal, de um fundo africano destinado a promover

explorações naquele continente. Para fomentar tais iniciativas, prosseguiu, a Sociedade de Geografia

de Lisboa “resolveu organizar seções nas localidades onde houvesse mais de vinte sócios”. De forma

vaga, concluiu que as seções deveriam executar “todos os trabalhos relativos ao fim que se tem em

vista, a sua publicação para utilidade pública e a coadjuvação recíproca”12.

A cooperação13 proposta por Januário foi de imediato aceita entre os presentes, elegendo-se logo

a seguir, por aclamação, o primeiro presidente da instituição recém-criada, o senador Cândido Mendes

de Almeida14. Os demais membros da diretoria foram eleitos: Henrique Pedro Carlos de Beaurepaire

Rohan15 e o visconde de Borges Castro no cargo da vice-presidência, enquanto Francisco Maria

Cordeiro16 e o barão de Teffé17 figuraram como primeiros secretários.

Durante os seus três primeiros anos de vida, a Seção esteve em função da sua própria organização

administrativa, envolvida com a redação e aprovação dos estatutos, regimento interno, firmando a sua

estabilidade. No mais das vezes, os trabalhos da Seção se limitaram às comunicações do senador Cândido

Mendes de Almeida sobre as novidades geográficas e o movimento civilizador das expedições

geográficas; nesse tempo, houve apenas uma conferência do barão de Teffé e uma leitura do tenente

J. M. Albuquerque Bloem18.

O quarto ano (1881) foi, todavia, marcante: se, por um lado, realizou-se a visita do festejado

explorador português Alexandre de Serpa Pinto19 e o lançamento da Revista da Seção, por outro houve

o cisma entre os grupos que sonharam com um grêmio nacional e aqueles que permaneceram fiéis à

proposta inicial, mantendo a Seção apenas como filial de Lisboa. O episódio em tela culminou com o

fracasso da iniciativa e um saldo de divisões entre aqueles que recuaram de seus intentos, após a

reação negativa de Lisboa diante do projeto, e os associados que a deixaram para, dois anos mais tarde,

finalmente, tornar efetiva a criação da SGRJ20. No entanto, em 1883, a Seção retomou seu curso –

sessões de honra voltaram a ser organizadas.

Os signatários da ata de criação da filial compunham um grupo bastante uniforme quanto à

posição social: quase todos pertenciam à elite fluminense21, variando quanto ao título nobiliárquico,

REVISTA DA SBHC, Rio de Janeiro, v. 3, n. 2, p. 156-171, jul. | dez. 2005

159

patente ou armas; constando dentre eles, a exemplo do visconde de Mattosinhos22, Emílio Zaluar23 e

Boaventura Gonçalves Roque24, personalidades da colônia portuguesa radicada no Rio.

A formação profissional de grande parte do grupo fundador também não se distanciava daquelas

predominantes entre membros da elite do Império. Assim, a medicina se fez representar pelo barão de

Ramiz25; a engenharia, por militares como o visconde de Beaurepaire Rohan, e, por fim, as “gentes do

direito”, como a destacada figura do senador Cândido Mendes, bacharel em ciências jurídicas e sociais.

No âmbito dos demais associados, encontra-se um espectro largo de opções ideológicas, como o

abolicionismo de Ângelo Agostini26; o pensamento de Ramalho Ortigão, manifestamente favorável à

continuidade da escravidão27; as tendências liberais de André Rebouças28; o catolicismo dedicado de

Cândido Mendes de Almeida, filiado ao partido conservador; o monarquismo convicto de Carlos

Maximiano Pimenta de Laet29 e o pragmatismo do barão de Teffé, prestando serviços tanto ao Império

quanto à República.

Em 1881, a Seção tinha ampliado seus quadros, chegando a contar com cerca de 179 sócios. Mais

de um terço de seus membros transitou também no IHGB e na SGRJ.

O sucesso da Seção parecia repetir o de outras instituições. A grande adesão a estabelecimentos

do gênero muitas vezes revelava o anseio por trocas de experiências e negócios30, não se podendo

ignorar a utilidade desses grêmios no âmbito das relações clientelísticas, tão presentes na Corte imperial.

Como as suas congêneres, a Seção era um instituto fortemente atrelado a D. Pedro II, não por acaso seu

protetor e sócio honorário. De “Sua Majestade” dependiam nomeações, títulos de nobreza etc.

A listagem dos filiados da Seção em 1885 incluiu nomes como Machado de Assis e Benjamin

Constant, o que só fez confirmar o prestígio e o perfil eclético da Seção e, possivelmente, de sua geografia.

A elite fluminense – grupo diversificado, se pensarmos nas suas atividades, interesses científicos e

perfil político – aninhava-se em organizações como a Seção, para além de suas ambições pessoais,

pois tinham planos para o país.

Para entender o significado da geografia e seu sentido frente à política de fins do Império, será

preciso analisar a Revista publicada pela Seção.

A Revista da Seção da Sociedade de Geografia de Lisboa no Brasil

Ao longo do período em que circulou, a estrutura da Revista pouco mudou, ainda que as diretorias31

variassem. A coleção de periódicos intitulada Revista Mensal da Seção da Sociedade de Geografia de

Lisboa no Brasil (RSSGL), lançada pela Seção em abril de 1881, teve sua edição interrompida durante

todo o ano seguinte, para ser retomada em 1883, mantendo-se com certa regularidade até o início de

1886, ano da última publicação de que se tem notícia.

Atingindo em média dois números anuais, não fez jus à denominação ‘mensal’. Assim, em setembro

de 1885, quando se inicia a segunda série, essa palavra foi suprimida de seu título. Freqüentemente,

palestras e artigos eram publicados em partes, de modo a render vários números, distribuídos por

diferentes fascículos. Ao final de um período – delimitado provavelmente em função de decisões

acertadas no âmbito da redação com objetivos de se programarem novas diretrizes à Revista – obtinhase

a série. Nesse caso, tivemos duas séries: a primeira, composta das revistas editadas entre 1881 e

fevereiro de 1885, e a segunda, com os fascículos publicados de setembro de 1885 até janeiro de 1886.

Sobre os assinantes e leitores do periódico, pouco se apurou: havia um público garantido, formado

REVISTA DA SBHC, Rio de Janeiro, v. 3, n. 2, p. 156-171, jan. | jun. 2005

160

nas bibliotecas pertencentes aos grêmios, como também aqueles com os quais a Seção fazia permuta

de exemplares – ou seja, os próprios filiados da Seção ou a estes relacionados. Certamente, a imperatriz

Teresa Cristina foi umas das leitoras, pois a coleção encontrada no IHGB, uma série especial, com capa

de luxo, pertenceu à personalidade em questão.

A partir da segunda série e, aparentemente, acompanhando a própria sofisticação da Seção, que

passou a se organizar em subseções, houve a inclusão de resumos em francês dos artigos, ao fim de

cada fascículo. Atribuímos a inclusão desses resumos às pretensões de se obter um alcance maior para

a Revista; afinal, a Seção publicava notícias de sociedades de geografia francesas, traduzindo seus

artigos, e com elas trocava publicações.

Via de regra, cada periódico se compunha de “Notas da Redação” ou “Declaração”, apresentando,

comentando, prometendo regularidade, ineditismo e novos fascículos, funcionando, assim, como

pronunciamento da equipe de redação sobre a Revista; “Sumário”; artigos; seção intitulada “Crônica

Geográfica”32, contendo inúmeras notas sobre temas do movimento geográfico mundial e, ao final, o

“Expediente”, indicando usualmente publicações recebidas pela Seção ou por ela enviadas para outras

instituições, a incluir por vezes comentário bibliográfico.

Não fugindo ao ecletismo da geografia – generosa mãe, sempre disposta a abraçar todos os temas

– as discussões e artigos apresentam um amplo leque temático, versando sobre assuntos aparentemente

tão díspares quanto a adoção de um meridiano único, a fauna e a flora brasileiras, a glótica, o tupi,

a construção do Canal do Panamá, escavações de cidades na Babilônia, múmias no Egito etc.

Poucas foram as vezes em que se contou com ilustrações, à exceção do relato da expedição de

Ladislau Netto33, quando foram reproduzidos desenhos do autor. Somente em alguns raros momentos,

quando da inclusão de atas de reuniões extraordinárias tratando de posse de diretorias, homenagens a

expositores convidados, como também em algumas crônicas, consegue-se entrever os bastidores da

Seção. Nas suas linhas gerais, os pronunciamentos da Redação são comedidos e escassas são as transcrições

de opiniões.

A rigor, considerando-se somente os títulos listados nos sumários das revistas, não se detectariam

alterações passíveis de serem consideradas como fases distintas do periódico, sob qualquer

aspecto; afinal, os temas parecem estar distribuídos de forma a contemplar os objetivos explicitados

quando da criação da Seção portuguesa: engajamento no movimento geográfico mundial, fundamentalmente

a exploração do continente africano, e dados relativos ao território brasileiro.

Entretanto, ao olharmos com mais atenção a distribuição dos temas, tendo em vista a região

abordada e as diretorias da Seção e da Revista, conseguimos demarcar três fases.

Na primeira delas, relativa a 1881, com o Barão de Teffé na presidência do grêmio e Fernando

Mendes como redator em chefe34, metade dos títulos focalizou o Brasil, enquanto os demais pontos do

índice se distribuíam entre África, América Latina e demais partes do mundo (Gráfico 1).

 

 

O Pregador Copyright © 2011 | Template design by O Pregador | Powered by Blogger Templates